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Mandacaru – Presépio de Natal do casapark – conheça os artistas

01 de Dezembro de 2020

Míria Tomé – Madame Frufru

De Belo Horizonte – Minas Gerais

Os tapetes de frufru que Míria Tomé confecciona em malha costurada sobre forro antiderrapante remontam uma tradição familiar de várias gerações, mas seu contato com essa arte que faz parte da tradição de bem-receber do interior e que veio para a cidade só foi retomado em 2015. Ex-militar, ex-confeiteira, ex-cabeleireira, Míria estava em uma feira em Belo Horizonte quando se deparou com um tapete verde-limão igual ao que a avó dela fazia para bancar a criação dos filhos e a casa, em Nova Lima, na grande BH. “Provocou em mim uma lembrança que eu não sabia que tinha. Não sabia nem mesmo o nome da técnica”. Assim que voltou para casa começou a pesquisar sobre a peça, comprou uma máquina de costura, tecidos e passou a fabricar e vender na feira. A qualidade e o acabamento chamaram a atenção da empresária Mary Arantes, da Quermesse da Mary, que seu trabalho ganhou destaque. “Ele se atualizou. Mantenho a essência da tradição na técnica e nas cores, mas os desenhos são meus”, ressalta Míria. Seus trabalhos podem ser encontrados nas principais feiras itinerantes de artesanato e design que acontecem em BH, como a Quermesse da Mary e na Feira Rosenbaum, ou no Instagram da artesã @madame_frufru.

 

Francisco Graciano Cardoso

De Brejo Santo – Barbalha – Ceará 

Tudo na obra de Francisco Graciano Cardoso é primeiro imaginado, depois riscado e só depois é que ele vai escolher a madeira para caber no personagem. Escultor tarimbado, escolhe as melhores madeiras que encontra na região como a imburana e a cambão. “Essas têm qualidade e durabilidade”, explica. A inspiração, diz, “vem em sonho”. Por isso, explica, nenhuma peça é igual a outra. “As pessoas reconhecem o meu trabalho, não apenas pelo entalhe, mas pela cor. Cada peça tem uma cor diferente”, comenta o artesão que aprendeu o ofício com o pai, o mestre Manuel Graciano Cardoso, e há 25 anos vive da arte que produz. Quando jovem, trabalhou na roça, mas a falta de trabalho o levou a trabalhar para o pai, inicialmente como assistente, mas não acreditava que poderia viver de arte. Até que um colecionador comprou uma de suas peças e as vendas começaram a acontecer, uma após a outra. Hoje, produz esculturas em grande formato usando madeira morta, das que caem ou que morrem naturalmente ou daquelas em que o agricultor vai arar a terra e retira alguma árvore para seguir com a plantação. “O pessoal da roça vem e avisa que tem uma árvore no chão que a gente pode ir lá pegar”, diz Francisco. “Faço peças de reisado de 1,5 metro de altura e quando o personagem pede, de 2 metros de altura, modelando no tronco, com formão, faca, facão e machadinha.  Seus trabalhos podem ser vistos em galerias de São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, ou em coleções privadas brasileiras e no exterior.

 

Célio F. Souza

De Fortaleza – Ceará

Célio F. Souza desde os 18 anos se dedica à arte de entalhar a madeira. Sempre rodeado de artistas e de arte, mesmo sem saber que seria ele um artista, começou a interessar-se pela profissão ainda na adolescência. Nesse tempo, há pouco mais de 30 anos, morava na casa dos fundos do renomado artista cearense Francisco da Silva. A casa era frequentada pelos assistentes do artista, com quem fez amizade. “Via os caras desenhando e pintando e achava legal. Passei a andar com um deles que me viu fazendo um personagem e perguntou porque eu não fazia também e me deu um jogo de formões”. Fez cursos com o também renomado artista Sérvulo Esmeraldo, com a curadora Dodora Guimarães, Mestre Zezito, entre outros. “Queria navegar outras águas e acrescentar mais informação ao trabalho”, comenta o artista.  Hoje, Célio faz trabalhos com madeira morta, reutilizada e reciclada. Desde que tenha qualidade e firmeza, fatores importantes para evitar que sejam atacados pelos bichos. “Trabalhar com madeira precisa desse conhecimento. Se a madeira for chapada ou roliça coloco na mesa e vou cortando para deixar aparecer a imagem. Não faço risco. Tem escultor que faz isso. Eu já vou esculpindo. Às vezes gosto de transformar, desmancho tudo e faço outra coisa”. Seus trabalhos, com temática voltada para a natureza e a questão ambiental, apresentam cabeças, rostos, totens simbólicos, entre outros.

 

José F.

De Lagoa da Canoa – na região do Agreste de Alagoas

Foi somente há seis anos que José Afrânio começou a trabalhar como artista. “Quando era criança, fazia brinquedos de argila para minha irmã. Mas naquela época todo mundo ia trabalhar na roça”, comenta. Ele trabalhou na construção civil, em Alagoas e no Paraná, e na colheita em fazendas da região do Agreste. Sua primeira peça em madeira, um sanfoneiro, foi a responsável por levar seu trabalho para um outro patamar. “Eu fiz a peça e postei no Facebook. O povo começou a curtir e a comprar”, lembra o artesão que sozinho aprendeu a entalhar no fundo do quintal de casa e fez sua primeira exposição individual em Maceió. Seu trabalho pode ser visto em galerias de São Paulo e de Natal, e suas obras já estão em importantes coleções privadas brasileiras.  Sua produção tem características que remetem à arquitetura e à arte vinda dos colonizadores europeus, a história da formação da região e a religiosidade às tradições, à luz e à cor locais. “Minhas cores preferidas são o laranja, o azul e o vermelho. São cores fortes que se juntam ao verde e ao amarelo para fazer figuras populares como Zumbi dos Palmares, mulher com lata d’água na cabeça, arte santeira, como São Francisco de Assis, Cosme e Damião.  As esculturas são feitas em madeira de jaqueira ou cedro vermelho, mais resistentes. “Gosto de criar a partir da madeira o que vem da minha cabeça”.

 

Ismael de Dedé

De Lagoa da Canoa – Região do Agreste de Alagoas

Ismael de Dedé nasceu em uma família que há quatro gerações vive das invenções da alma. Seu bisavô, que era escultor, ensinou o ofício ao avô, que trabalhava com carros de boi e bonecos de argila. O conhecimento foi passado para o pai, o mestre Antônio de Dedé, que ensinou seus 10 filhos a trabalhar com arte popular. “Somos 10 irmãos, três mulheres e sete homens. Cada um tem seu traço”, afirma Ismael que herdou o gosto do pai por esculpir São Francisco, São Jorge, Das Dores, homens nos pássaros, homens sobre tartarugas. “Somos uma família que trabalha com o imaginário, criações da cabeça. Eu peguei o traço do meu pai, que traduziu os personagens da região, algo mágico, e eu trouxe algo mais específico que fez evoluir o meu traço”, diz. O artista trabalha com madeira de cedro, jaqueira e imburana. Para ele, o artista popular que tem seu dom, não importando a madeira, “deixa a imaginação fluir”. Para se concentrar nas peças, Ismael prefere trabalhar à noite no ateliê que divide com os membros da família. Como gosta de peças coloridas, prepara as tintas na luz do dia e pinta depois que o sol se põe. “É mais tranquilo”. Com um repertório de temas variados, em sua produção podem ser encontrados bancos de bichos – leão, onça -, figuras de mulher, homem, de histórias do tempo da escravidão dos negros, dos capatazes, do homem pisando milho na roça, do presépio. “Eu estou tentando fazer um projeto de resgate da nossa cultura para ensinar as crianças sobre Zumbi dos Palmares, Lampião, Maria bonita, boi-bumbá, dos guerreiros, do pastoril. Se não contar, elas se perdem”.

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