Ocupação 6 – Referência Galeria de Arte

20 de Agosto de 2019
Notícias

Período: 01 a 29 de Agosto de 2019
Nome da exposição: Linhas de Fuga/Superfície em transe

Uma exposição com obras feitas por mulheres. Essas artistas fazem da vida uma vivência de potências transformadoras pela via da produção artística. Elas se debruçam sobre questões estéticas e, ao mesmo tempo, sobre problemas sociais, ambientais e econômicos, da vida cotidiana, para tirar disso novas e importantes lições. Esse início do século 21 apresentam um planeta em crise e uma sociedade subdividida em forças antagônicas. Será o homem um ser tão absorto em si mesmo que, pelas vias excessivas do neoliberalismo imperante, dará cabo dos bens naturais para fazer valer o elogio desesperado do capital? O que a arte tem a ver com isso?

Sobre essas e outras questões, está aberta a exposição “Linhas de Fuga/Superfície em transe” para se pensar na arte contemporânea e no mundo atual. Sob a responsabilidade da Referência Galeria de Arte, a Ocupação 6 da Galeria Casa do CasaPark, traz uma mostra com trabalhos feitos só por artistas mulheres. Gerida por uma mulher de fibra (Onice Moraes de Oliveira), a Referência é a mais antiga galeria de arte de Brasília em funcionamento nesse momento e cumpre com um importante e rigoroso papel de difusão da produção contemporânea e da formação de público com mostras consistentes de artistas fundamentais para se pensar a arte brasileira e a arte produzida em especial na capital do Brasil. Esse protagonismo tem garantido o estabelecimento de uma série variada de importantes relações de amizade e felicidade. A mostra dá provas de potência e competência imbuídas nas obras de todas as artistas envolvidas.

Seja pela diversidade dos temas abordados ou pelas práticas poéticas específicas, temos uma pluralidade de narrativas e técnicas. Adriana Vignoli, Alice Lara, Bruna Neiva, Karina Dias, Luciana Paiva, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Yana Tamayo e Zuleika de Souza apresentam obras em diferentes suportes e linguagens numa multiplicidade de experimentações características da produção atual da capital federal do país. Temas como o meio ambiente, os direitos humanos e dos animais, a memória que se esvai com o progresso, os deslocamentos como marca da civilização, são relevantes para se pensar o mundo contemporâneo a partir de suas marcas indiciais presentes nas obras. Tais obras se entregam ao aberto e ilimitado das interpretações e das vivências. A marca do referente no trabalho de arte, a morte como índice do dispêndio, o movimento como saudação à vida, o tempo como matéria da poesia visual, a violência como marca dessa era de feminicídio, a memória como inscrição de uma verdade manifesta na obra, nos dão possibilidades de reconstruir um mundo, a paisagem, o espaço circundante, pela via da fruição, pela via da interação com uma imagem, mesmo aquela que desliza por uma coleção de palavras, aquela que se sustenta por um fio, ou aquela que agride com a delicadeza de seus espinhos.

A mostra concentra um excelente conjunto de artistas com obras dispostas ao deleite do fruidor. Cabe a cada um de nós ressignificar o que está proposto pela entrega em obra dessas mulheres fundamentais e extraordinárias para se pensar Brasília e a produção em arte contemporânea.

Carlos Silva
agosto de 2019

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