A economia da criatividade: uma luz na crise

17 de Outubro de 2019
Evento

Em tempos de retração econômica e desemprego, novas formas de adaptação e inserção no mercado de trabalho surgem como alternativas para sobreviver ao contexto desfavorável. Assim, surgem novas tendências e dinâmicas, que podem e devem ser encaradas como oportunidades. Para falar sobre o assunto e compartilhar generosas experiências sobre o segmento da economia criativa, Cris Rosenbaum – Feira Rosenbaum – e Lauro Andrade – DW! São Paulo Design – participaram do Talk 5 sobre Empreendedorismo, o último do ciclo de eventos do espaço casapark da CASACOR Brasília.  Com a casa cheia, o bate-papo ocorrido no último dia 15 de outubro, teve a mediação da jornalista Paula Santana – do GPS Lifetime -, que conduziu a conversa entre os convidados e o animado público presente.

O último TALK promovido pelo casapark abordou um dos segmentos de mercado que podem gerar mais renda e ampliar a cadeia produtiva, garantindo empregos e bem-estar para a população como um todo. A economia criativa valoriza o capital intelectual e os valores simbólicos. É um é um setor em ascensão, que vem driblando a crise e proporcionando desenvolvimento para o país. A economia criativa envolve uma série de profissionais em todas as áreas de produção, de carpinteiros a arquitetos, designers de interiores, de mobiliários e gráficos, artistas, pintores, técnicos de máquinas, entregadores, marketing, comunicação e muitos outros. No Brasil, dados do IBGE informam que o setor criativo é responsável por 2,64% do PIB de 2018. Na União Europeia, o segmento responde por 6,8%.

As feiras e festivais são os grandes expoentes desse segmento, uma vez que possibilitam trocas criativas, profissionalização e visibilidade por meio do design de experiência e engajamento do público. Tanto Cris, quanto Lauro são fortes nomes no cenário criativo paulista e nacional. Ambos começaram seus empreendimentos no ano de 2012. No entanto, Cris iniciou a carreira no ramo criativo e foi para os negócios. Lauro, por sua vez, fez o caminho contrário. Juntos, realizam parcerias em eventos até os dias de hoje.

A Feira Rosenbaum começou com uma reunião de amigas que decidiram vender peças de moda e design. Hoje, é um importante evento com mais de 60 expositores, um público circulante de 10 mil pessoas, 800 marcas envolvidas e 130 mil seguidores no Instagram. Cris é a curadora e dona do negócio. Contou que a Feira foi e continua sendo a porta de entrada para muitos artistas de sucesso. Em seu processo de curadoria, Cris busca valorizar a identidade brasileira, com a proposta de ‘’usar o design para expor a alma brasileira’’. Ela abre espaço, por exemplo, para o artesanato indígena; para artesãos do sertão e artistas de fora do circuito paulista ou acadêmico: ‘’As vendas são todas revertidas para eles, e tem o nome deles. Esse é o DNA da nossa Feira’’. Outro grande diferencial do evento, é a atenção individualizada e o contato direto entre artistas e o público interessado em conhecer processos criativos e histórias de vida. ‘’Tinha gente que passava o dia no evento, elas carecem de atenção. Eu as recebia como se fosse minha casa e elas amavam. Existe esse gap no mercado’’, contou.

Lauro Andrade, por sua vez, era um business-man, um executivo de grandes empresas, entre elas o Sebrae. Somente aos 40 anos começou a empreender. Percebeu um grande potencial no segmento criativo, que, segundo ele, seria o grande “pré-sal” brasileiro. Antes do Design Week São Paulo, Lauro organizava o back office de uma feira, e contou que se apaixonou pela área. Percebeu que tinha muitos profissionais competentes de capacidade criativa na linha de frente, mas identificou a demanda por pessoas com o perfil de negócios na retaguarda. Com sua experiência e visão de longo prazo, bebeu na fonte inovadora das feiras de Milão e se inspirou na organização dos ingleses para criação do Design Weekend São Paulo, evento que conecta várias frentes como urbanismo, arte, design, decoração e tecnologia, e transforma a cidade em um grande circuito de criatividade. O DW! leva o público a refletir sobre o que tem sido feito e o que se pode fazer a partir dos negócios. Lauro conta com a ajuda de curadores para selecionar expositores e produtos – entre eles, Cris Rosenbaum -, e contou que esse é um grande diferencial do seu empreendimento. Atualmente, realizam 300 eventos em 140 lugares de São Paulo, durante 8 dias.

Em relação aos desafios, Cris conta que a competitividade, sobretudo em São Paulo, pode ser avassaladora. ‘’É preciso sempre estar correndo, se reinventando e buscando manter relevância, sem esquecer os propósitos pessoais’’, ressaltou. Para Lauro, ser empreendedor no Brasil é um ‘’ato de fé e teimosia’’. Segundo ele, é difícil manter protagonismo em um mercado tão competitivo, adaptar-se às adversidades e crises e manter um grau de inovação em meio a um avanço tecnológico tão veloz. Lauro conta que existem muitos ‘’empreendedores de palco’’ com fórmulas de sucesso. Mas, para ele, o verdadeiro empreendedor é aquele que acorda cedo, tem muitos problemas de entrega, enormes demandas e muito, muito trabalho. ‘’São poucos os que chegam lá e a maior parte trabalha há muito tempo’’, desabafou.

 Apesar da sociedade se tornar cada vez mais digital, Lauro e Cris acreditam que os eventos presenciais não vão acabar: vão se adaptar a um novo formato e a um novo tipo de entrega. Os convidados compartilharam alguns conselhos para quem está começando ou têm interesse em empreender no Brasil. Cris falou sobre a importância de se manter o foco. É ‘’trabalhoso, chato, cansativo, mas necessário’’. Lauro ressaltou que não há fórmulas, mas diria que é preciso conhecer o mercado em que se está atuando, desenvolver uma rede de apoiadores e trabalhar duro. “É uma jornada longa, tenham paciência. Se tiverem oportunidade, aprendam com os erros alheios, estudem, escutem e leiam’’, recomendou. Por fim, Lauro finalizou falando sobre propósitos pessoais. ‘’Não empreenda por que alguém te falou e nem tenha pressa. Cada um tem seu tempo. Encontre seus próprios caminhos, faça com convicção tudo o que fizer’’, finalizou Lauro.

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