A arte da simplificação: Tendências e inovação

02 de Outubro de 2019
Evento

Dando continuidade à programação de Talks e Oficinas com alguns dos principais nomes do segmento criativo local e nacional, o espaço casapark instalado na CASACOR Brasília recebeu na última sexta-feira, 27 de setembro, os arquitetos Arthur Casas e Lígia Casas. Em uma conversa mediada pela editora da Revista do Correio – Correio Braziliense -, a dupla falou sobre arquitetura, design, sustentabilidade e Brasília.

No 2 Talk 2 – Inovação e simplicidade em casa, a conversa girou em torno a vários eixos, a começar pela necessidade de pontuar o conceito de simplicidade que a dupla aplica em projetos residenciais e em objetos de design. “O simples não é o mais barato nem o mais fácil de fazer”, sentenciou Arthur. De forma geral, Arthur e Ligia buscam a simplicidade e a sofisticação em seus desenhos, ou como dizem, ‘’formas de fazer aquele objeto ‘’parar em pé’’”.

Arthur Casas está à frente do Studio Arthur Casas, presente em cidades como São Paulo, Nova York, Paris, Tóquio e Rio de Janeiro. Optou por não se especializar e transitar entre diferentes escalas e projetos arquitetônicos: faz desde relógios, joias e faqueiros, a prédios e projetos urbanos. Possui inspirações modernistas e admira o contemporâneo urbano. Já Lígia Casas, sócia e mulher de Arthur, dedica-se ao Studio Objeto, projeto online que coordena e que tem por objetivo aproximar o designer do artesão e dialogar com diferentes matérias primas.

Ao falar de inovação, outro tema abordado, Lígia e Arthur lembram que as fábricas brasileiras estão cada vez mais equipadas, com maquinário capaz de produzir um maior número de peças. “Elas socializam o design e dispensam a necessidade de um artesão. Por outro lado, as peças perdem o valor agregado de exclusividade e personalização”, algo que os arquitetos optam por evitar.

A tendência da personalização e a busca de um estilo de vida menos complicado são máximas que fazem parte das novas dinâmicas urbanas. “Hoje, há uma crescente demanda por espaços menores e mais simples, dispensa-se a necessidade de empregados, ou de cozinhar seu próprio alimento, uma vez que serviços de delivery são cada vez mais comuns – um estilo de vida semelhante ao modelo europeu e norte-americano, em que o prático, o rápido e o básico são valorizados. Além disso, há um movimento de busca por maior vivência do perímetro urbano e da cidade, sobretudo por parte dos jovens”, afirma Arthur. Isso, segundo o arquiteto, está atrelado a vários fatores comportamentais e sociais. Para Arthur, uma delicada tendência são os ‘’modismos’’ e modelos que se tornam populares e são replicados em vários projetos, mas que muitas vezes não condizem com o contexto prático da família. Ele ressalta que o papel do arquiteto é ter um olhar crítico sobre cada projeto e entender a realidade e as necessidades de seus clientes para promover soluções que transformem a vida das pessoas de dentro para fora.

Brasília inspirou a escolha do arquiteto. Arthur começou a vir à capital na época em que a catedral ainda não tinha vidros, nos anos 1960. ‘’É curioso como as pessoas que nasceram aqui têm uma relação boa com a proposta de Lúcio Costa. Brasília é antítese do que se prega hoje como cidade, o que me deixa fascinado. As pessoas lidam bem com as setorizações e com o fato de precisarem usar o carro para se locomoverem’’, avaliou o arquiteto. Por outro lado, se mostrou perplexo por não haver eventos de arquitetura internacionais e nacionais na capital. Por ser uma ‘’cidade-case’’, uma referência estudada por profissionais do mundo inteiro, acredita que deveria haver aqui um polo de discussão na área. Além disso, apontou a importância em trazer a conversa para o momento em que a cidade vive agora, e não se prender ao modernismo, mesmo que haja resistência do mercado em aceitar a estética contemporânea.

Quando questionado pelo público sobre questões de sustentabilidade, o arquiteto frisou a importância do desenvolvimento de ideias arrojadas por parte dos profissionais para reduzir os impactos no meio ambiente. Porém, reconhece que existe a dificuldade, sobretudo em relação ao design de produtos, devido ao desconhecimento da procedência de alguns materiais. Além disso, muitos clientes apresentam resistência a práticas sustentáveis. Já Lígia salientou que sempre busca garimpar fornecedores que contribuam com essa ideia, e acrescentou dizendo que o simples fato de desenhar uma peça com desenho limpo, de maior duração, já é um ato sustentável. O trabalho feito junto aos artesãos e o acompanhamento ciclo de produção da peça permite trazer coisas novas, reaproveitar produtos, materiais, reutilizar coisas e transformá-las.

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